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No
fim do século passado, a sociedade alemã “Phylax” interessava-se pelos cães
pastores, e eram trabalhados com o objectivo de melhorar as suas capacidades. De
entre os animais que a sociedade achava digno de interesse, já faziam parte
exemplares de cor clara, até branca. Um oficial da cavalaria prussa, o Capitão
Max Von Stephanitz, que era membro desta sociedade, desejava obter um cão
ideal, um cão polivalente capaz de sobressair-se em todas as disciplinas. Para
concretizar o seu sonho, adquiriu então Hektor Linkstein, um cão bastante
dotado, que foi utilizado num vasto programa de intensa selecção. As suas
ponderadas investigações genéticas e o seu rigor no trabalho, permitiram-lhe
alcançar com rapidez a criação de um cão a altura das suas esperanças. Este
cão, de porte nobre e marcial, aliando, a sua inteligência maleável, foi o
protótipo de uma nova raça que durante muito tempo será uma referencia de
entre as outras e que se propagará a grande escala no mundo: o Pastor Alemão.
Os primeiros adeptos deste exemplar excepcional juntaram-se ao capitão para
fundarem em 1899 a “ Verein fur Deutsche
Schaferhunde “ (Sociedade para a defesa dos Pastores Alemães, mais
tarde designada com as iniciais
V.S), que se tornou a mais importante e a mais influente das sociedades cinófilas,
pela superioridade numérica dos seus “protegidos”. A Verein fur Deutsche Schaferhunde não parou de melhorar as
qualidades intrínsecas da raça apoiando-se em regras de criação e de selecção
muito rigorosas. No entanto, Max Von Stephanitz não estava predisposto a
discriminação relativamente as diferentes cores da pelagem do Pastor Alemão,
a primeira finalidade do seu empreendimento sendo a criação de linhagens que
tivessem uma grande propensão ao trabalho.
Só
foi depois da sua morte que a V.S., adopta uma política de rejeição categórica
ao encontro dos cães brancos, alegando erroneamente serem albinos degenerados e
portadores de doenças genéticas. Desde então, estes ex-Pastores Alemães caídos
em desgraça são considerados como simples “bastardos”, e grande parte dos
criadores tomam o hábito de eliminar ao nascimento estes infortunados cachorros,
que eram brancos. Paradoxalmente, a brancura imaculada destes cães
confere-lhes um importante poder de sedução, eles já tinham encontrado o seu
publico. A ideia era não os deixar desaparecerem, assim faz Anne Tracy do
Minesota (USA) que, em 1917, através do seu cão Stoni Hurst Edmond, produz
cachorros que se espalham pelo pais e até no Canada, como também H.N. Hanchett
de Minneapolis que, em 1920, começa a importar Pastores Brancos. Os Pastores
Alemães Brancos, criados a margem, por via de consequência, constituem pouco a
pouco uma raça distinta. No início dos anos 60, a popularidade crescente
ocasiona um conflito inevitável com os seus detractores
– os criadores de Pastores Alemães “tradicionais” – que os consideram
concorrentes. Em 1964, o primeiro Clube da raça nasce na Califórnia (USA)
em Sacramento, mas em 1968, o A.K.C. (American Kennel Club), em colaboração
com o clube do Pastor Alemão, elimina os
Pastores Brancos das exposições. Em reacção, outros amadores organizam-se a
semelhança de Sacramento, e fundam em 1969 nos USA, e em 1971 no Canada, novos
clubes mais eficientes na defesa destes cães. Em 1980, o Clube Canadiano do
Pastor Alemão faz pressão para proibir aos Pastores Brancos o direito de
participar nas manifestações cinófilas. Esta tentativa em parte falha. Mas
desde aí, além mar, os Pastores Brancos são admitidos a participar nas provas
de trabalho, em contrapartida, eles são excluídos dos concursos de Beleza, o
que não deixa de surpreender. Em 1980 e 1982, Pastores Brancos são importados
na Alemanha, mas foi na Suíça que a primeira
ninhada europeia é oficialmente registada. A partir de 1985, a raça
irradia rapidamente para a maioria dos países da Europa. Em 1991 uma primeira
acção é tomada pela Suíça, a SCS publica o primeiro estalão oficial da raça.
Os Países Baixos seguem em 1992. No mesmo ano é criado o Clube Francês do
Pastor Branco – C.F.B.B – pela França, e com a ajuda dos clubes de Pastores
Brancos europeus inicia-se uma maratona para o reconhecimento da raça (A S.C.C
tinha por objectivo o reconhecimento oficial pela FCI). Em 1999, a Republica
Checa, a Dinamarca e Áustria seguem os outros países europeus. Por fim, é em
Dezembro de 2002, que após inúmeras acções junto á FCI, que oficialmente o Pastor Branco
é reconhecido sob a denominação Pastor Branco Suíço,
pela circular 87/2002 de 18/12/2002 – Standard FCI 347/18.12/2002/F.

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